Agora que
ele vai mesmo voltar, num outro formato, claro!, e num outro local, snif! snif!, vejamos como foi da última vez.
Historiaremos agora, em breves palavras, a consecução do projecto do Vale do Vouga.
Logo que lançada a linha da Beira Alta, outro estudo passou a estar na ordem do dia para servir toda a região do Vouga e possibilitar o comércio com as Beiras. Desse estudo foi encarregado o engenheiro Mendes Guerreiro, que preconizava a construção de uma linha que partisse de Estarreja e fosse entroncar na de Santa Comba Dão a Viseu, por alturas de Torre Deita. Foi esse estudo incluído no Plano de 1877 com a classificação de Linha do Vale do Vouga desde Estarreja, Albergaria-a-Velha, Vouzela e S. Pedro do Sul, ficando por classificar o restante percurso, objecto de novos estudos. Posteriormente, em 7 de Fevereiro de 1879, de novo foi incluído em Plano, mas partindo de Aveiro para Estarreja, passando por Sever do Vouga, Oliveira de Frades, Vouzela e S. Pedro do Sul, na extensão de 60 km.
Estavam em franca actividade as minas de chumbo do Braçal, Malhada e Coval da Mó, e as minas de cobre do Palhal e Telhadela. Além de que o prolongamento da linha até Viseu encurtaria distâncias entre esta cidade e o Porto. Eram razões fortes para fundamentar a proposta da inclusão do estudo em Plano.
A primeira concessão foi dada por alvará de 11 de Julho de 1889 a Frederico Pereira Palha para a sua construção e exploração, por um prazo de 99 anos, mas que ficou logo condenada ao malogro, uma vez que a sua directriz foi estabelecida a partir de Espinho até Vouzela e daqui a Torre Deita.
Em 1895 novos estudos foram apresentados, baseados no critério de 1879, cujo custo ascendia a 2500 contos. Para diminuir o percurso entre Porto e Viseu a linha partia de Espinho, fazendo-se um ramal de Sever do Vouga a Aveiro. Vários foram os incidentes surgidos depois, que determinaram a supressão do referido ramal (...) até que em 30 de Outubro de 1903 foi o projecto aprovado definitivamente de acordo com o actual traçado, sem contudo aparecer quem pusesse em marcha o empreendimento, uma vez que o Governo não oferecia garantias.
Em 1906 constituiu-se a Compagnie Française pour la Construction et l’Exploitation des Chemins de Fer à l'Étranger, com sede em Paris, e por decreto de 17 de Março do mesmo ano faz-se a transferência da concessão de Francisco Pereira Palha para a referida Companhia. Em 5 de Fevereiro do ano seguinte é feito o contrato definitivo do empreendimento entre ela e o Estado, e a obra contratada com o engenheiro francês François Mercier que lhe dá início ainda no final desse mesmo ano.
Em 21 de Dezembro de 1908 abriu-se à exploração o troço entre Espinho e Oliveira de Azeméis, com 33 kms., inaugurado em 23 de Novembro com a presença do rei D. Manuel II; a 1 de Abril do ano seguinte o de UI a Albergaria-a-Velha; a 8 de Setembro de 1911 os de Albergaria-a-Velha a Sernada e daqui a Aveiro.
Faltava concluir o prolongamento até Viseu. Como o terreno era muito acidentado a ligação foi morosa, com acabamentos mais rápidos onde as soluções o permitiam de imediato, enquanto pequenos troços eram abertos à exploração. Assim, a 5 de Maio de 1913 iniciou-se o tráfego de Sernada à Foz do Rio Mau, ao km 4; do km 4 ao km 18, até Ribeiradio, passando por Pessegueiro, Paradela e Cedrim, e Bodiosa e Viseu, respectivamente a 4 e 5 de Setembro de 1913; em 30 de Novembro do mesmo ano o de Arcozelo das Maias a Vouzela e, finalmente, em 5 de Fevereiro de 1914 o das Termas de S. Pedro do Sul a Moçâmedes. Estava terminada a grande odisseia desta via férrea.
Por outro lado a Companhia Francesa transformou-se numa companhia nacional e em 1 de Abril de 1924 os estatutos da nova empresa são publicados, a qual passou a denominar-se Companhia Portuguesa para a Construção e Exploração de Caminhos de Ferro.
Fernando Soares Ramos - In: "AVEIRO E O SEU DISTRITO", 1976
Diário do Governo, de 24 de Dezembro de 1906, n.º 291, página 4394, 3ª coluna.

Em 25 de Abril de 1905 foi celebrado um contrato provisório e respectivos subsídios com a
Compagnie Française pour la Construction et l’Exploitation des Chemins de Fer à l'Étranger, e respectiva exploração por 99 anos. No entanto essa sociedade anónima francesa ainda não existia de facto, dado que os estatudos foram registados no notário de Paris no dia 20 de Fevereiro de 1906 e o início oficial de sociedade é o dia 1 de Março de 1906. O contrato de concessão (por 99 anos) como o governo português teve no entanto início em 25 de Abril de 1905.